quinta-feira, 31 de maio de 2018

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

domingo, 12 de novembro de 2017

biocasa tratamento dos tocos

tratamento de tocos em casa de barro no vale da forqueta em maquiné. Sitio do Vicente. 

sistemas aquáticos.

Sistemas aquáticos, frutiferas e lavouras em pastiçais e capoeiras!
 ensaio de abundância num assentamento de reforma agrária  Rubira!

Quando na infância, década de 70 morava em Gravataí, cidade industrial, dormitório na periferia de Porto Alegre as famílias reuniam se em volta de um lago com pedras para lavar roupas e na baixada de uma bica de água corrente onde tinham tanques dispostos em nível e as mulheres assim faziam suas limpezas em horários que os homens não podiam frequentar, somente nós as crianças ficávamos brincando com os peixinhos que aos cardumes subiam nas valetas para comer os restos das fraldas de panos e os grãos de arroz que saiam das panelas de molho. Era um lugar onde ainda o saneamento Estatal não tinha chegado e as águas abundavam no lugar recém ocupado.
As pessoas em geral não sabiam ler ou escrever mas tinham inteligência e sabedoria das coisas da vida, principalmente o valor da água puxada de balde.
As casas foram aumentando, as ruas asfaltadas e chegou o encanamento de água, para surpresa e espanto as famílias transformaram os poços cavados em fossas negras, dejetos atirados direto nas águas, pois veio o encanamento da água mas esgoto não. Triste pois na crença de minha mãe, bugra semianalfabeta , água tem espirito sagrado, já o velho teimoso de Livramento cidade de fronteira, frequentou as periferias de guerras e desconfiado não adotou o sistema, alegando não confiar no sistema de águas. Tinha  pra mim que isso era vergonha e nunca entendi não termos água da CORSAN e os vizinhos de descendência de origem "italiana e alemã" tinham banheiro com privada e nós não. Afora os arroubos violentos do velho brigando eventualmente com os instaladores de água da empresa publica, nunca deixou colocarem a espera de canos na frente de casa. Continuamos com o poço de 15 metros calçado de tijolos maciços, que eventualmente eu tinha de descer para limpar, era uma diversão trabalhosa de dois ou três dias, com bomba puxando água e as vertentes borbulhando. Minha pequena sabedoria nasce aí, as águas estão em baixo, as melhores vertem geladas e tem sabor e cheiro. Enquanto isso na Escola aprendia que as águas são insipidas e inodoras e que podem ter germes e doenças, sendo as melhores tratadas com cloro, ainda não existia água engarrafada na periferia!
Então um verão de  1977 de estiagem prolongada um vizinho veio buscar um balde de água, ao final da tarde uma fila enorme se formou, o velho por suas convicções não vendeu nem um balde, mas nada mais que um balde era fornecido. Minha sabedoria hídrica cresceu um pouco mais na certeza de que ter água é ter PODER.
-Buenas! agora no século 21 anuncia se a crise da água, a Síria sendo bombardeada enquanto seus poços milenares secaram pela vampirização dos projetos do agronegócio, a URSS secou um lago pra plantar algodão e o Brasil desviou um Rio, o São Francisco, vários rios declarados mortos como o Tietê em São Paulo, o Sinos em São Leopoldo e o Gravataí, agora na Bahia em Correntina as pessoas destroem bombas de pivôs que secam o rio, e São Paulo a maior cidade do continente vive em racionamentos, o cerrado um Bioma com nascedouros gigantescos está secando e perdendo sua capacidade de manter se hidratado.
Quando vim para o latifundio da Rubira em 2001 percebi esta paisagem agreste da serra das asperezas como se parece bastante com a borda dos ANDES na pré cordilheira, vegetação baixa de anarcadiáceas e mirtáceas, além de árvores espinhentas como a coronilha o molho nos campos as carquejas e miomio, além da maria mole, senecias, espécies venenosas e amargas. Os solos rasos próximos as rochas, as queimadas e o pisoteio do gado tornaram este latifundio improdutivo e assim numa luta de três anos o MST ocupou este lugar com 79 familias.
Nos instalamos próximos as fontes de água e em meio a disciplina de acampado racionalizamos o aprendizado de uso das águas, um balde por barraco e banho de caneca ou chuveiro de lata, com a água aquecida na chapa do fogão de barro, nosso gipão, este aprendizado de acampado nos fortalece e nos dá a disciplina necessária a nova vida de agricultor sem terra.
Daí advém o contexto e antecedentes do que proponho!
As coxilhas aqui possuem elevações de 20 até 50 metros em declive suave de até 30 graus, os solos rasos de até 20 cm possuem um subsolo de saibro de aproximadamente 2 metros até a rocha. As águas brotam de fenda e afloram em olho de boi, pequenos sumidouros no campo que eventualmente as vacas ficam atoladas em trágicas épocas de inverno. Iniciei a  construção de pequenas barragens de 50cm até 1,5 metros, nas vertentes. A medida em que estas foram estabilizando encheram se de vida áquática principalmente sapos , rãs e pererecas, além de peixes como lambaris e trairas afora os jundiás e muçuns,  sugiram ou intensificaram os nascedouros crescidos pelos lagostins que mantém as águas em nível nas coxilhas, talvez o ser mais entendido do principio dos vasos comunicantes, logo as garças e biguás também passaram a viver aqui assim como os bem te vi  e as abelhas que bebem muita água também. Com o passar dos anos as coxilhas estão cheias de água, mesmo nas piores estiagens as nascentes mantiveram o fluxo constante embora diminuído, então é isso armazenar água na coxilha simples assim.
Como referência da diferença desta atitude com as águas cito o caso de nossos vizinhos que necessitam de caminhão pipa nos períodos críticos de seca, um de seus erros está em perseguir ás águas, cavando cada vez mais fundo, em vez de elevar o potencial hidrico, esgotam as reservas. Soma se a prática de lavrar as terras no entorno de forma que cortam a diferença de potencial e a capilaridade, além do corte indiscriminado até os topo de coxilha das árvores, que mesmo aparentemente retorcidas e imprestáveis, seguem fazendo o papel de vida ativa em meio aos cascalhos e rochas. Nesta região os ventos , estamos paralelo 31, são intensos e toda água livre rapidamente é levada, ficando tudo ressecado, esturricado, em três dias, somente os quebra ventos nos quatro lados, norte, sul, leste e oeste dão sossego a vida campestre.
Agora intensifica se a invasão dos sogeiros, agronegociantes  e além do ressecamento das coxilhas pela destruição da vegetação campestre o envenenamento do sistema com a morte dos insetos e plantas, a biodiversidade Pampeana possui tamanho menor, tudo aqui em comparação a mata atlântica e amazônica é menor, mas por outro lado temos locais com mais de 50 espécies em metros quadrados de campo. E´este  é o crime que está sendo cometido, tudo dessecado e morto por uma ganância e lavagem de dinheiro, pois só isso justifica colherem 1 saco por ha de soja transgênica. avanço e tomada de território, desertificação e em meio a tudo isso a tragédia invisível da perda de ambiente.
Por outro lado, se num raio de 4 km, está acontecendo esta tragédia, aqui tenho 23 ha de pitangueiras e  amoras em frutos, floradas de diferentes espécies em sucessão e águas vertendo e alimentando os banhados, torna se este lugar um refugio e intensifica se a atividade de nidificação e cria dos filhotes, com água nas nascentes as espécies conseguem se manter e penso que assim, num momento propicio, depois de passar a febre especulativa e houver terminado este ciclo de destruição´`a vida prevalecerá. Em alguns lugares no Norte do país os assentamentos do MST tem como prerrogativa serem ambientes livres de agrotóxicos, são poucos e enfrentam contradições e interesses corporativos, em alguns lotes, conheci valentes guerreiros que não se sujeitam as mentiras de agronegociantes, nestas comunidades está acontecendo AGORA o verdadeiro aprendizado para o século 21.
Proponho assim que aqueles que tiverem vontades e forças vão fortalecer estes que fazem ocupação com o verde nestes desertos por tudo envenenado,  junto lutar em luta ferrenha e desigual,  luta de natureza, de certeza de triunfo que virá ! pra que em nossas fogueiras de tenhamos com certeza terra livre, batata assada e pinhão na brasa e um pedaço de presente assando um futuro enraizado no subsolo da gente, pra gente operária e camponesa, ribeirinha, mateira e pescadora sob a luz das estrelas a vida triunfará.   
Dedico este relato aos amigos solitários e amantes dos cantos de pássaros, que embora tristes pela destruição tem atitudes de paciência e carinho com a terra e aos seres, que assim vamos triunfar com sementes, águas, pássaros e todos animais que buscam guarida neste lugares de luta e resistência.



Jaime Carvalho
Piratini,assentamento Rubira, 12 de novembro de 2017.   
                            

quarta-feira, 22 de junho de 2016

segunda-feira, 7 de julho de 2014

SendaViva, tecendo redes: Obah Hostel Bar

SendaViva, tecendo redes: Obah Hostel Bar: O convite foi feito. E dessa vez só seria aceito se fosse do nosso jeito: BIOCONSTRUÍDO. Uma proposta inovadora para um Hostel no Moinhos d...

Hostel em Porto Alegre, o Obah

Feito com Biobarro- biotecnologia fermentativa autopoiética!

biobacter`s

Hostel em Porto Alegre, o Obah

Eufalei: Eu Falei participa de Campo e Lavoura de ZH

Eufalei: Eu Falei participa de Campo e Lavoura de ZH: No sábado, 08, a pedido da Zero Hora, a reportagem do Blog Eu Falei esteve realizando um trabalho no Assentamento Rubira, 2º distrito de Pi...

domingo, 1 de janeiro de 2012

quarta-feira, 23 de março de 2011

agricultura biomineralizada


Biomineralização reduz custos nas propriedades

Uso de minerais adicionados a fertilizantes traz bons resultados para produtores rurais

Cristiano Dalcin | Cerro Grande do Sul (RS)

O uso de minerais adicionados a fertilizantes está trazendo bons resultados para produtores rurais do Sul do país. A chamada biomineralização reduz os custos nas propriedades e contribui para uma agricultura mais sustentável.

O produtor rural Vilson Stefanoski ocupa cinco hectares de terra em Cerro Grande do Sul, a 117 quilômetros de Porto Alegre. A propriedade, que se destaca pela preocupação com o meio ambiente, começou a usar a mineralização há dez anos.

– Esse material mudou a história da propriedade. Em 2001, a gente praticamente estava parando, porque estava intoxicando o solo devido ao mau uso da serragem – diz Stefanoski.

O uso das rochas moídas é uma prática milenar na agricultura. Com o avanço das pesquisas, a mistura feita com elas se tornou uma combinação poderosa, que faz a diferença. Vilson ainda usa a serragem de eucalipto, mas com a adição de pó de rocha e a ação de fungos do próprio ambiente, este virou o principal produto usado para a adubação. O solo foi analisado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

– Pelo que eles nos explicaram, um solo considerado bom para a agronomia é de 75% de saturação base. Saturação base é composta por minerais, o que contém no solo. E eu aqui tive solos com 80% de saturação base. Então, é um solo que vamos dizer, eu colho oito safras por ano nas estufas aqui e mesmo assim há um solo de 80% de saturação base. Eu colho e ele está ótimo – comenta Stefanoski.

Nelson Diehl é proprietário de uma empresa que desde 2005 produz insumos agrícolas com base na biomineralização. Segundo ele, mais de 800 produtores gaúchos estão utilizando este tipo de fertilizante.

– Uma agricultura precisa de cuidados fundamentais. O primeiro é o meio ambiente, que não pode ter impacto negativo excessivo. Também a agricultura e as técnicas têm que ter um retorno econômico que é necessário para que nós tenhamos profissionais dedicados e atentos e o consumidor também não pode ser prejudicado. E como o consumidor não pode ser prejudicado? É que os alimentos tenham qualidade nutricional, sejam bonitos, sejam saudáveis, sejam duráveis e que ele tenha tranquilidade de saber que este alimento está alimentando, o que hoje nem sempre é possível em virtude das diferentes técnicas nocivas que estão sendo utilizadas – afirma Stefanoski.

A produção de Vilson se destaca nas feiras. Ele tem mercado garantido para tudo o que colhe. Outra grande vantagem foi a economia. No ano passado, os negócios movimentaram R$ 120 mil na propriedade, e os custos de produção foram de apenas R$ 19 mil, um cenário bem diferente do que ele enfrentava em 2001.

– Se naquele ano a gente tava mal, hoje a gente pode se dizer que está bem – conclui Vilson Stefanoski.

CANAL RURAL
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/playerpopup.aspx?midia=173387&channel=98

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Neste verão

Faz algum tempo que elaboramos alguns sistemas para as regiões da Pampa.
Desde observações e diálogos com os campeiros temos construido conjuntos de conhecimento para nestes momentos á campo! podermos dar conteudo aos debates.
Um destes sistemas é o de pastagens naturais e aconteceu na propriedade do Chico num lugar chamado Aberto do Cerro passando Cacimbinhas ou melhor Pinheiro Machado pela estrada que leva a Jaiba.
Se vai para perto do Rio Camaquã!
O Chico tem um gado que se alimenta exclusivamente de campo nativo e a sua subsistência está diretamente relacionada ao desfrute deste rebanho.
Neste experimento delineado pela Embrapa de Bagé, no projeto Alto Camaquã foram mapeados e diferidos os potreiros próximos a casa, cercados com cerca elétrica, eles abrangem um pouco de coxilha mais alta e um pouco de varzea ou banhado mais húmido. Neste processo foram espalhados em cada divisão Pó de rochas -Geobacter- e noutra fosfato natural além de um terceiro sem nenhuma aplicação além de calcáreo faixa C, usado como testemunha.
Enquanto passeavámos pelos campos o som dos pastos secos estralando nas botas dava o ton da conversa.
Apesar de que o mais saliente e próspero no campo eram os gravatás uma planta parente das cenouras e que quando arrancamos tem cheiro de cenoura, mas indesejável por ser cheia de espinhos e atrapalhar o gado no pastejo. A primeira diferença estava estabelecida, no campo onde foi aplicado o fosfato também havia gravatás, mas estavam pequenos e esmaecidos quase cloróticos, enquanto que na parcela com geobacter estavam com as bordas brilhantes, avermelhadas, verde azuladas e enormes os pendões florais desta Espécie:
provavelmente Eryngium horridum Malme da Família: Apiaceae, com mais de dois metros de altura.
Outro aspecto é de que nos potreiros mineralizados, sim com minerais circulando e fazendo crescer em diversidade e vigor os pastos e a vegetação, as gramas forquilha e os pega pega tem uma testura mais grossa e ao mesmo tempo macia aveludada com uma cor clara nas folhas novas e azul esverdeada nas maduras, mas a sensação de pisar em uma pastagem que apesar da seca se encontra verde é muito instigante.
Muito diferente do quadro com fosfato pois os pastos neste estão inteiramente ressequidos e quebradiços. Quando ao potreiro deixado como testemunha estava rapado e sem vigor algum, como o restante na volta. Esta é uma primeira impressão sobre o metabolismo dos pastos enunciado por André Voisin, o pasto esta hidratado apesar da seca pois o resultado final da biomineralização é água, ou seja há uma reidratação no sistema, ao contrário do fosfato cuja equação quimica leva ao solo perder água e consequentemente uma desidratação.
- Simples assim, porém tem mais!
Como os animais fazem um ciclo de nutrientes levando o que consomem dos banhados para a coxilha e assim quando estercam fertilizam os altos e quando urinam hidratam os lugares secos, mas com o metabolismo dos minerais do geobacter há um circulo virtuoso de formação de compostos poliméricos agregadores de carbono e gerando um déficit de energia ou seja há um resfriamento do solo, com uma diferença de 5° graus de temperatura com relação ao entorno. Assim temos mais pasto e os animais apresentam a pelagem brilhante, além das vacas preferirem estes potreios por serem os pastos mais frescos e tenros além de mais doces pois o brix é maior chegando ao dobro algo em torno de 12 graus de doçura ou sólidos totais resultando em maior densidade. Nisso se pode tirar a partir do depoimento com realação as vacas do potreiro que fornecem leite de qualidade no inverno todo, fazendo a fama da melhor rapadurinha de leite da região.
Assim neste verão a seca foi vencida nos fundos de Pinheiro machado nos Campos do Alto Camaquã casa do Chico.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

as cinzas de madeira e os minerais das rochas

Sobre absorção de minerais e o uso de cinzas de madeiras na horta.

Ás vezes observava minha avó aplicando cinzas do fogão a lenha, achava engraçado aquela nuvenzinha que se formava e deixava tudo com pó de gaveta de fogão.

- Perguntava me por que ela se dava ao trabalho de polvilhar cinzas e com isto deixar toda empoeirada a horta?

-Também meu avo tinha uma égua e duas vacas e freqüentemente adicionava no cocho dos animais um punhado de cinzas misturado com milho, principalmente quando a pelagem dos animais estava opaca, dizia ele que um pouquinho de cinzas principalmente de vassoura e angico era saudável.

Mais tarde quando fiquei mais taludo passou a ser minha tarefa virar os canteiros com pá, capinar de enchada e adubar as plantações e a horta. Por instrução levava os dizeres dos mais velhos sem contestar e mesmo com perguntas diretas a questão das cinzas nas plantas só era respondida com o argumento simples “é bom!”.

Observava nas primeiras horas da manhã, com o orvalho molhando a barra da saia, lá se ia minha avó á espalhar cinzas na horta. Algumas vezes era aplicado mais cinza nos pés de tomateiros, outras nas couves e até mesmo na rúculas , após uma chuva forte a intensidade da aplicação redobrava, chegando a faltar cinzas.

Assim durante as nossas refeições as saladas e temperos sempre foram fartos, brilhantes e suculentos.

Quando passei a freqüentar a escola técnica de agricultura perguntei ao mestre da cadeira de adubações sobre as cinzas de madeiras e como resposta obtive um semblante de desdém, como se meu atrevimento em trazer a sua aula tema tão insignificante fosse uma perda de tempo. Descobri que as cinzas de madeira são irrelevantes nos processos agrícolas industriais da lavoura e da pecuária. E que como nutriente era pouco eficaz nas exigências nutricionais das culturas hibridizadas e “melhoradas”, plantas condicionadas a absorver grandes quantidades de sais solúveis. Mas se nas aulas de agricultura esta resposta não era satisfatória, nas aulas de biologia tinha minhas dúvidas sanadas, sem comprometimentos ideológicos com a industria de sais para adubação o professor de biologia nos estimulava a pensar nas plantas e animais como parte de um todo chamado vida! E que os minerais fazem parte de grandes ciclos, e que as cinzas de plantas e ossos de animais fazem parte deste ciclo.

-Interessante! Uma ampla abordagem para algo simples e cotidiano, como plantar, tratar e colher hortaliças.

-Como poderia entender de uma maneira eficaz o cotidiano de um agricultor e ainda assim a fotossíntese e ou mesmo o ciclo do enxofre, do nitrogênio, fósforo, potássio ou mesmo das terras raras?

-Ora! segui aplicando nas minhas plantações, cinzas de madeiras, e a tratar meus animais com preparados minerais onde as cinzas de plantas como umbu, maricá e fumo bravo passaram a integrar composições complexas mas efetivas na prevenção de doenças dos animais.

Quando entrei na Agronomia achei que minhas dúvidas seriam respondidas,

-Pura ingenuidade! Quando procurei os professores especialistas encontrei maior desprezo sobre estas questões, tratadas como alternativas, portanto indignas de estudo...

Na agronomia predomina uma visão ideológica ditada por processos analíticos baseados em uma química do século XIX , a qual foi sustentada politicamente como programa de Estado para manter a industria de guerra. Desta forma apesar de as cinzas de madeiras terem análises amplas e disseminadas como informação o processo de assimilação dos elementos minerais, os processos de nutrição natural, tem sido pouco difundidos.

Nas aulas ouvi sempre como resposta que plantas não tem condição de absorver elementos minerais do solo, exceto que estejam estes de forma solúvel.

Mas de uma maneira diferente da visão agronômica encontramos na geologia outro tipo de pensamento a respeito das cinzas, nesta ciência as cinzas são consideradas elementos minerais e assim podem ser prospectadas pelas raízes e acumuladas pelas plantas na busca das soluções nutritivas, as raízes estão em constante processo de interação com o

meio químico definido pelo solo, rocha e água subterrânea.

Por outro lado, mecanismos complexos, intrínsecos à planta, levam os elementos para os

diferentes tecidos vegetais, onde, por vezes, podem nuclear ou cristalizar na forma de diversas espécies químicas. Microcristais de ouro nativo (1x 0,5), aderidos à superfície de células de Tsuga mertensiana, foram identificados por MEV (Dunn 1995). Da mesma forma, cristais de cinábrio foram detectados por MET em briófitas aquáticas (Satake et al. 1990). Neste estudo, análises por MEV revelaram a presença de acúmulos de metais nobres como Au, Ag, Pt, além de microcristalóides de Ni, Fe, Cr, Zn e Ca em tecidos lenhosos das espécies Adiantopsis cf. chlorophylla, Scoparia montevidensis e Scutia buxifolia. A forma e disposição de alguns destes precipitados por vezes sugerem artefatos originados pela preparação das amostras.

No entanto, conforme observa-se na figura , a deformação causada pela inclusão da partícula de Au na parede celular denota que a deposição se deu in situ.


Figura - Em A (A’) - Ni (+S) no parênquima do cilindro central da raiz de Scoparia montevidensis.1000x. Em B (B’) - Caule de

Scutia buxifolia com precipitados de Au (Al+Fe) no parênquima do cilindro central.1000x.


Krämer et al. (1997), por meio de análise de Micro-PIXE, percebem ser os tricomas das folhas o

sitio preferencial de acúmulo de Ni em Alyssum lesbiacum, espécie comum em terrenos ultramáficos serpentinizados ricos em Ni. Seus estudos mostram notável similaridade com os resultados obtidos em duas outras espécies acumuladoras, nas quais o Ni se encontrava concentrado em tecidos periféricos das folhas. Microanálises (EDAX) igualmente comprovam a deposição de Zn na epiderme das folhas de Thlaspi caerulescens, espécie acumuladora de Zn. Estas constatações levam Krämer et al. (op.cit.) a deduzir que o acúmulo de metais em estruturas epidérmicas da folhas pode ser uma feição comum às plantas acumuladoras de metais.

Outros autores também relatam a presença de precipitados minerais em tecidos foliares, tais

como Satake (2000) que constata a presença de cristalitos de Fe na parede celular de musgos aquáticos; Motomura et al.(2000) observam a presença de sílica amorfa hidratada, absorvida como ácido silícico, em celulas foliares epidérmicas, e Psaras ET al. (2000) encontram concentrações de Ni em células fisiologicamente inertes da epiderme foliar.

Neste trabalho as análises por MEV foram realizadas somente em tecidos lenhosos, não sendo

portanto possível concordar ou não com a afirmativade Kramer et al.(op.cit.). Entretanto, observou-seque a maior parte dos semicristais imageados localiza-se no parênquima do xilema, principal tecido condutor de água e solutos, sugerindo que os elementos absorvidos pelas plantas têm mobilidade no interior do mesmo. O fato de sua deposição, como aglomerados amorfos ou semicristais, ocorrer em tecido parenquimático, sugere absorção excessiva, levando os sais a precipitar como produto excedente em células cuja função vital seria ligada em parte à

armazenagem de substâncias de reserva e, em parte, à condução horizontal.

Kovalesvkii e Kovalevskaya (2000) encontraram em tecidos suberizados de espécies vegetais

formas minerais por eles definidas como marcassita, pirita, calcopirita, arsenopirita, galena, esfalerita e cinábrio, além de elementos nativos como Fe, Cu, Au, Hg, Ag, Pt, Pd, Ir, Os, Rh e Ru. Para esses autores, o fato de a maioria dos agregados acumular-se em tecidos suberizados demonstra que a planta tem a capacidade, por mecanismos de exclusão, de secretar o excesso dos elementos químicos da seiva e dos tecidos ativos para tecidos “mortos”, na forma de partículas minerais -biólitos.

Pelo exposto conclui-se que o princípio que rege o mecanismo de exclusão quando da absorção

dos elementos, do meio externo para a raiz do vegetal, em plantas metalófitas ou acumuladoras, atua também no meio interno da planta, ou seja, determinadas funções fisiológicas destas espécies excluem dos centros ativos do metabolismo os elementos indesejados ou absorvidos em excesso, acumulando os em tecidos, celulas e estruturas subcelulares, gerando os biólitos. Estudos recentes (Clemens ET al.2002) demonstram que o tráfego dos elementos metálicos ocorre dentro de cada celula do vegetal, sendo as concentrações mantidas de acordo com as especificidades fisiológicas em cada organela e a liberação do elemento feita conforme a exigência das moléculas quelantes. Não se descarta também a possibilidade de que os elementos absorvidos, seja por processos bióticos ou abióticos, fiquem estocados na forma de precipitados, em períodos de relativa inércia fisiológica do vegetal, conforme Kovalevskii (2000).

Estudos biogeoquímicos focando a variação dos teores dos elementos nas cinzas vegetais, aliados

à identificação de fases metálicas precipitadas em diferentes tecidos da planta, podem contribuir de modo significativo para o melhor entendimento dos mecanismos de desintoxicação atuantes em determinadas espécies, fato que proporciona a estas uma capacidade de fitorecuperação de ambientes poluídos. Por outro lado, tais espécies, embora por vezes não concentrem teores significativos de elementos metálicos, comuns em ambientes geológicos propícios à prospecção mineral, têm sua ocorrência condicionada às características de ambientes geoquimicamente anômalos, o que lhes confere um caráter de plantas indicadoras.

Neste processo de melhorar as verdades é que aplicamos minerais de rochas moídas nas plantas e que damos os mesmos para os animais, pois compreendemos com o tempo que as cinzas trazem uma riqueza de minerais presentes nos solos, que estes ficam esgotados com as colheitas e com o tempo em virtude dos processos erosivos.

Esta é uma visão mineralógica, totalmente diferente de uma visão salina, química solúvel que considera o solo como algo desprovido de vida. Não que desta forma esteja contrário ao uso de sais na agricultura, mas apenas que tenhamos coerência pois da mesma forma que consumimos sal de cozinha, cloreto de sódio mais iodo, de uma forma equilibrada, caso contrário teremos hipertensão sódica, assim é com a agricultura que privilegia o Nitrogênio, Fósforo e o Potássio e os outros micronutrientes na forma de sais. Defendemos o uso de nutrientes a base de rochas por serem completos em termos de nutrientes, acima de 120 elementos conhecidos e desconhecidos. Se queremos que nossa funções sejam completas em termos de saúde precisamos que a nossa nutrição seja completa e equilibrada.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

sobre chinampas
explorar esta face das fermenta